José Luiz Datena: “Vou ser presidente”

José Luiz Datena: “Vou ser presidente”

Após três desistências, o apresentador jura que será candidato ao Planalto, critica Bolsonaro e diz que a ascensão dele ocorreu por causa dos erros do PT.

Depois de ensaiar algumas incursões nas urnas, o apresentador de TV José Luiz Datena deve, enfim, estrear na política em 2022. E, se depender de suas pretensões, direto na disputa pela Presidência da República — segundo a última pesquisa Datafolha, de setembro, ele tem 4% das intenções de voto e apenas 19% de rejeição do eleitorado.

Lançado candidato ao Planalto pelo PSL, o seu sexto partido, antes do anúncio da fusão com o DEM (que vai criar o União Brasil), ele declara que aceitaria o desafio de disputar prévias com outros presidenciáveis como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Se perder, no entanto, poderia ir para o PDT e aceitar o convite para ser candidato a vice de Ciro Gomes.

Em entrevista a VEJA na sede da TV Bandeirantes, no bairro do Morumbi, onde comanda o Brasil Urgente, programa popularesco que é líder de audiência da emissora na Grande São Paulo, Datena faz críticas ao governo Jair Bolsonaro — em especial à economia —, afirma que o capitão chegou ao poder graças aos erros cometidos pelos governos do PT, mas fustiga também João Doria (PSDB) e Sergio Moro (segundo a definição do jornalista, bem ao seu estilo, o ex-juiz não é a freira que entrou na boate).

O senhor já desistiu três vezes de entrar na política. Como acreditar que agora é mesmo para valer? A eleição que eu fiquei mais próximo de disputar foi a última, em 2020, quando, numa reunião na casa do João Doria, com Rodrigo Maia, Baleia Rossi e Bruno Covas, ficou acordado que eu seria candidato a vice-prefeito. E assim foi durante mais ou menos um mês e meio.

No caminho, percebi que houve interferências políticas de um lado que não queria que eu fosse o vice do Bruno. Aí eu disse: “Bruno, não dá, tem muita gente contra, não quero criar problema”. Uma vez o Wilson Witzel me perguntou: “Por que você refugou três vezes?”.

Eu falei: “Não quero passar o ridículo que o senhor está passando, de ser quase preso, quase levar sua senhora à cadeia e ser impichado”. Foi por isso que não fui para outras eleições. Porque tem o contato inicial, aí você vai conhecendo as pessoas e chega à conclusão de que não eram corretas. Hoje, sou o único candidato do PSL à Presidência, lançado pelo presidente (Luciano Bivar), e continuarei candidato.

Mas, após a fusão com o DEM, haverá outros presidenciáveis nesse páreo… Eu aceito prévias contra Luiz Henrique Mandetta e Rodrigo Pacheco, porque sou um democrata. Posso participar e ganhar. Agora, se eu perder, não quero ficar e ser candidato nem a governador nem ao Senado, porque tenho convites de outros partidos.

Gilberto Kassab já me convidou para ser candidato e tive uma conversa com Ciro Gomes (PDT), que me ofereceu a possibilidade de ser candidato a vice dele ou a governador. Então, dessa fusão, eu só saio candidato a presidente.

Tem recebido apoio da Band e da sua família, que já foi contrária em outras ocasiões? Minha família é contra, não quer. A Band é muito democrática nesse aspecto. O Johnny Saad, que é o diretor-presidente da emissora, me deixou tranquilo para concorrer a qualquer coisa. Lógico que eu tenho que sempre fazer consulta a ele, porque afinal é meu empregador. Mas ele é mais do que isso, é um amigo, é um irmão mais velho

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