O Brasil está na beira do apagão, e empresas lucram com aumento da conta de luz

Apagão (termo usado no Brasil e em ) ou blecaute ( da palavra blackout, apenas usado no ), é o corte ou colapso temporário do suprimento de  em uma determinada área geográfica, que pode variar desde uma localidade ou , até uma grande  ou regiões inteiras de um ou mais . Pode ser provocado por diferentes motivos, como acidentes, queda de linhas de transmissão, sobrecargas, pane parcial do sistema de geração ou de distribuição, ou ainda por medida de , como durante ataques aéreos contra  em períodos de .

O termo em inglês blackout se popularizou depois do colapso elétrico ocorrido em 1965, quando o Nordeste dos Estados Unidos e parte do Canadá ficaram às escuras por cerca de 12 horas. Dentre os maiores apagões da história destaca-se o ocorrido entre 14 e 16 de agosto de 2003 nos Estados Unidos, que deixou mais de 50 milhões de pessoas sem luz por mais de um dia, afetando a vida de todo o sudeste do  e nordeste dos  por cerca de três dias.

Em relação ao número de pessoas atingidas, os maiores apagões da história foram os ocorridos na , em janeiro de 2001, que deixou mais de 220 milhões de pessoas sem luz, e o ocorrido na Indonésia, em agosto de 2005, afetando mais de 100 milhões de pessoas. Em novembro de 2006 vários países da parte ocidental da União Europeia foram afetados por um rápido apagão de cerca de 2 horas

Com a queda da capacidade dos reservatórios, e a seca em que vive o sudeste brasileiro, o governo federal aumentou as bandeiras tarifárias na energia elétrica e pediu para população economizar luz.

Contudo, apesar da falta de ajuda de “São Pedro”, a desregulamentação do setor, a falta de planejamento e os interesses do setor privado apenas nos lucros seriam as reais causas da crise.

Na quarta (8), em audiência na Câmara dos Deputados, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que a capacidade dos reservatórios das usinas hidrelétricas deve ficar abaixo de 19%. Apenas na crise hídrica de 2014 esse patamar foi registrado.

Apesar de o governo Bolsonaro insistir que o problema é a falta de chuva, o ex-diretor presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) Vicente Andreu rejeita o argumento.

"Não dá pra colocar na conta de São Pedro de jeito nenhum", afirmou, em entrevista para o programa Bem Viver, da  Rádio Brasil de Fato.

Ele alerta que a crise é "resultado de uma operação recorrente, que acontece todo ano, do setor elétrico, e que foi agravada no governo Bolsonaro. Tem como finalidade esvaziar os reservatórios no período chuvoso para quando chegar o período seco, tendo pouca água, o preço da tarifa explodir."

Mesmo que a justificativa fosse a falta de chuva, Alexandre Húngaro, trabalhador do setor de meio ambiente da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e estudioso da área de energia, afirma que "deveríamos estar em racionamento no mínimo desde maio."

Húngaro, que também é presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil do Paraná (CTB-Paraná), alerta que o sistema elétrico brasileiro vem operando no limite.

"É um cenário que poderemos estar de um ou dois anos com racionamento, ou o governo terá que pagar para que empresas não operem, para diminuir a carga. Imagine o custo financeiro dessa política, a cada dia que o governo não intervém para implantar um racionamento que já deveria ter começado em maio, aumenta a possibilidade que isso aconteça, e ainda falam na privatização da Eletrobrás."

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