A destruição da sala de aula do orfanato havia deixado um rastro de tristeza entre as crianças. Livros rasgados, carteiras quebradas e paredes riscadas. Era como se um pedaço da esperança delas tivesse sido arrancado. Desde aquele dia, o ambiente ficou sombrio, com as crianças sem ânimo e Estela tentando, sozinha, manter viva a chama do aprendizado improvisando aulas no pátio.
Samir, especialmente, não conseguia aceitar que alguém tivesse cometido tamanho ato de crueldade. Para ele, estudar era o único caminho para sonhar com um futuro diferente.
A discussão reveladora
Numa noite, ao voltar mais cedo do quarto coletivo, Samir ouviu vozes alteradas vindas do escritório de Zulma. Aproximou-se em silêncio, colando o ouvido na porta.
— Mas a senhora exagerou, Zulma! — reclamava Ernesto, nervoso.
— Mandar eu acabar com a sala de aula? As crianças precisam daquele espaço!
Zulma, com sua voz fria e cortante, respondeu:— Ernesto, não se esqueça de quem manda aqui! Eu não quero aquelas pestes aprendendo a ler.
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