Tudo começa de forma quase imperceptível, como sempre acontece quando algo maior está prestes a explodir. Kasper já não vinha bem há dias, carregando um incômodo silencioso que ninguém conseguia explicar com precisão, mas que todos ao redor sentiam crescer. O olhar mais distante, as pausas longas, o jeito de reagir diferente ao que antes parecia comum… eram sinais claros de que algo estava fora do lugar, mesmo que ninguém tivesse coragem de nomear.
A presença da estátua das Três Graças, no entanto, parecia provocar algo ainda mais profundo nele. Não era apenas uma obra de arte. Para Kasper, aquilo carregava um peso difícil de traduzir, como se existisse ali uma conexão que ia além do que qualquer pessoa ao redor conseguia perceber. E, quanto mais ele se aproximava da escultura, mais esse desconforto aumentava, como se algo dentro dele estivesse sendo puxado para fora à força.
No começo, ele tenta resistir. Tenta manter o controle, respirar fundo, se afastar… mas não consegue. Porque, naquele momento, não é mais uma questão de escolha. É uma reação que vem de dentro, acumulada, reprimida, esperando apenas o ponto de ruptura.
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