A Rádio Paraíso amanhece com aquele clima de evento importante, daqueles que deixam todo mundo em alerta — técnicos andando mais rápido, gente cochichando nos corredores, papéis indo e voltando, um nervosismo que não combina com "entrevista leve". Para quem vê de fora, é só mais uma edição do programa de Olímpia.
Para quem está por dentro, é um palco montado para uma execução pública.
Margarida chega tentando manter a postura. Ela sabia que seria exposta? Não exatamente. Mas ela sabia que havia perigo. O tipo de perigo que não se explica, só se sente. Uma coisa no sorriso de Olímpia já diz tudo: não é simpatia, é encenação. Não é gentileza, é isca.
E é isso que faz a cena ficar tão cruel: Olímpia não começa atacando.
Ela começa elogiando.
A apresentadora comenta, com voz doce demais, sobre o sucesso de Vendaval do Amor. Fala como quem admira, como quem está encantada. Só que o elogio vem carregado de um veneno fino — daqueles que entram sem fazer barulho e, quando você percebe, já está te queimando por dentro.
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