O orfanato sempre teve um tipo de silêncio que incomodava. Não era o silêncio comum de madrugada, quando as crianças dormem e o prédio parece descansar. Era um silêncio de segredo. Um silêncio que parecia morar nas paredes, nos corredores, nas portas trancadas e nas ordens rígidas que ninguém podia questionar.
Por muito tempo, essa sensação foi ignorada. Quem via de fora até acreditava na imagem "correta" do lugar: disciplina, rotina, comida na mesa e uma responsável que dizia fazer o melhor para todos. Só que quem vivia lá dentro enxergava outra coisa. O controle de Zulma não vinha de carinho. Vinha de medo.
E quando o medo vira regra, sempre existe um motivo.
Foi aí que Dita começou a perceber que não se tratava apenas de uma mulher mandona.
Havia algo mais fundo, mais escuro. Algo que explicava a pressa de Zulma em decidir destinos, a obsessão por esconder documentos, o pavor de qualquer conversa sobre Justiça e, principalmente, a forma como ela tratava algumas crianças como "casos" que precisavam sumir.
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